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XX Encontro Nacional da APL - 2004 criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
O XX Encontro Nacional da APL teve lugar em Lisboa, nos dias 13, 14 e 15 de Outubro de 2004, nas instalações da Fundação Calouste Gulbenkian.

Estão previstas as seguintes actividades:

Duas Conferências Plenárias

A conferência de abertura do Encontro será proferida por Anthony Kroch (Universidade da Pennsylvania) e a conferência de encerramento por Isabel Hub Faria (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa). 

Mesas Redondas Temáticas

O Português em África

Coordenadora: Maria Helena Mira Mateus (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e ILTEC)

Participantes: Amélia Mingas (Angola), Ana Maria Nhampule (Moçambique), Fernanda Pontífice (S. Tomé e Príncipe), Odete Semedo (Guiné-Bissau) e Margarida Santos (Cabo Verde).

Descrição: O Português em África levanta problemas diversos que vão desde a aprendizagem do Português em contexto formal como língua segunda e a aceitação, ou a recusa, de orientação escolar para o bilinguismo até à investigação da especificidade que evidencia a língua portuguesa falada nos diferentes países. De um ponto de vista exterior, também carece de discussão a posição de Portugal frente ao apoio que pode dar ao reforço do interesse e da manutenção da língua portuguesa, ou seja, ao desenvolvimento do que habitualmente é designado como política de língua.

A mesa redonda sobre o Português em África porá em contacto linguistas e professores de Português que trabalham nos cinco países africanos de língua oficial portuguesa e que trazem diferentes experiências relativamente aos problemas enunciados, levantando questões e avançando propostas para a sua eventual solução. Espera-se que o público presente debata as participações dos intervenientes e contribua positivamente para a sua discussão.

Neologia de importação no português europeu: desafios e medidas a tomar

Coordenadoras: Margarita Correia (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e ILTEC) e Ana Mineiro (ILTEC)

Participantes: João Malaca Casteleiro (Academia das Ciências de Lisboa), António Lavouras Lopes (Doutorando em Sociolinguística), Especialista francês a convidar, Representante do Instituto de Normalização Linguística da Galiza, Representante do Instituto da Qualidade.

Descrição: A presente mesa-redonda tem como objectivo discutir a integração de palavras importadas no Português Europeu, tendo em vista a determinação de critérios a adoptar nessa integração. A mesa-redonda e as questões que nela se debaterem serão integradas na realização de um projecto de investigação que tem por objectivo produzir uma proposta de integração dos neologismos de importação para o português. Serão questões a discutir as seguintes:

  • É necessário regular a entrada de neologismos de importação? Se sim, porquê?
  • Quem deveria proceder a essa regulação: a Academia das Ciências de Lisboa? As Universidades? Outra instituição?
  • Deverá proceder-se do mesmo modo em relação a palavras da língua corrente e em relação a termos científicos e técnicos?
  • Deverá haver concertação entre organismos representantes de diferentes países de língua oficial portuguesa nas tarefas de harmonização de palavras importadas?
  • Quais os critérios para harmonizar as palavras importadas e como pô-los em prática? Que adaptações (fonéticas, morfológicas, ortográficas, semânticas) deverão sofrer as unidades lexicais importadas em nome da defesa da língua?
  • O que foi feito e como foi feita essa regulação noutras línguas românicas, tais como o galego ou o francês?

Norma, Variação e Desvio na Gramática do Português Contemporâneo

Coordenador: Telmo Móia (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)

Participantes: João Andrade Peres, Ernesto d’Andrade e Maria Antónia Mota (todos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)

Descrição: As produções linguísticas públicas – em texto jornalístico, em folhetos de organismos públicos ou em traduções, por exemplo – integram frequentemente formas ou estruturas que muitos falantes consideram agramaticais ou de aceitabilidade duvidosa e que, em muitos casos, prejudicam a expressão clara e eficiente do pensamento. O desvio é particularmente actuante em certas áreas, mas afecta todos os níveis da gramática, desde a realização fónica (cf. desempenho de alguns locutores de televisão) à estruturação discursiva em textos longos, passando pelos níveis do morfema, da unidade lexical e da frase. A tarefa de alguns grupos profissionais – nomeadamente, os revisores de texto, os tradutores, os jornalistas ou mesmo os professores de português – é dificultada pela existência de zonas de particular instabilidade, em que os instrumentos de referência (gramáticas e dicionários) ou não concordam entre si ou (já) não reproduzem o uso maioritário dos falantes. O objectivo desta mesa-redonda, que reúne os docentes do Curso de Especialização em Consultoria de Língua Portuguesa iniciado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 2003-2004, é a discussão de algumas das questões centrais relacionadas com a problemática em causa, com especial destaque para: a) as dificuldades criadas pelas zonas de instabilidade da gramática do português; b) os critérios para a definição da norma; c) a relação entre norma e variação.

Comunicações Coordenadas

O Estudo do Português na mira da Linguística Cognitiva

Coordenadora: Hanna Batoréo (Universidade Aberta)

Descrição: A Linguística Cognitiva surgiu no início dos anos 80, tornando-se visível no fim da mesma década com os estudos de relevo da autoria de George Lakoff, Ronald Langacker e Leonard Talmy. Na mesma altura, em 1989, surge, em Portugal, a primeira tese de doutoramento elaborada no enquadramento da Semântica Cognitiva, seguindo-se-lhe outras, alguns anos mais tarde e já na passagem para o novo milénio (1995, 1996, 1997, 2001).

Ao longo destes anos, os Encontros Nacionais da APL, bem como os Encontros Regionais sobre a Linguagem e Cognição organizados em Braga, têm sido palco de confronto de ideias e de apresentação de trabalhos elaborados no enquadramento teórico de Linguística Cognitiva, vertente que estuda a linguagem como parte integrante da cognição e em relação com a experiência da linguagem-no-uso. As estruturas linguísticas são analisadas não como entidades autónomas, mas como manifestações de capacidades cognitivas gerais, da organização conceptual, de mecanismos de processamento e da perspectiva englobante da experiência individual, social e cultural.

A sessão de comunicações coordenadas em foco propõe-se servir de um ponto simultaneamente retrospectivo e prospectivo dos contributos que se têm dado e dos que se esperam dar no enquadramento da Linguística Cognitiva, sendo estes apreciados em comparação, por um lado, com a área mais vasta dos estudos de Linguagem e Cognição e, por outro, com os Estudos Linguísticos em geral.Usos da língua por falantes da normaCoordenadora: Alina Villalva (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)

Descrição: Qualquer que seja o conceito de norma linguística que se tome por bom, o certo é que não há como negar que nem todos os falantes que fazem uso dessa variedade da língua a usam do mesmo modo. Os usos linguísticos dos falantes da norma do Português tornam-se assim um interessante objecto de estudo, incontornável quer para a sua própria definição, quer para a aferição do apuro linguístico dos seus falantes.

A proposta de uma sessão de comunicações coordenadas subordinada ao tema dos usos da língua por falantes da norma serve de convite a reflexões sobre estas questões. O âmbito de participação é muito alargado, mas podem considerar-se alguns exemplos.

    • É sabido que a flexão dos verbos na segunda pessoa-singular do Pretérito Perfeito conta frequentemente com a paragoge de uma fricativa oportunista que fere os ouvidos mais sensíveis (cf. fostes, fizestes, viestes, etc.), que o género de alguns nomes não é o esperado (cf. o auto-estrada, os diabetes, um síndrome, duzentas gramas, etc.) e que a flexão nominal em número se afasta em alguns casos da prescrição gramatical (cf. cidadões, florzinhas, navios-escolas, etc.). Também deparamos regularmente com construções sintácticas parasitadas por preposições de nula utilidade (cf. pensar de que, desconfiar de que, etc.). E são comuns as realizações fonéticas que se afastam de um modo mais ou menos inesperado da natureza fonológica da sequência (cf. ['numŒru], [p'guâ)tŒ], [Œ'krduS]). Para já não falar dos barbarismos, como background, workshop ou feed-back, que constantemente colorem a produção linguística de uma considerável fatia de falantes do Português.
      Será que a produção linguística dos falantes da norma do Português está imune a desvios deste tipo ou deverá colocar-se como hipótese de trabalho que o que melhor caracteriza este dialecto é uma grande prevalência de usos desviantes deste tipo?
    • Para o senso comum bem-educado, parece ser ponto assente que o património literário de uma língua tem um papel fundamental na formação linguística dos falantes, constituindo-se como bom exemplo pela excelência do uso.
    • Admitindo que a produção literária possa ter essa função, a questão não deixa de exigir alguma reflexão. Antes de mais, é necessário não esquecer que um património literário como o do Português está formado ao longo dos séculos e ao largo de diversas latitudes e longitudes. Deve o ensino da língua fazer restrições de natureza diacrónica e geográfica, ou, pelo contrário, a selecção deverá ser exemplificativa da diversidade e determinada sobretudo pela qualidade artística dos textos escolhidos? E o que fazer às chamadas ‘liberdades poéticas’, sobretudo num momento social e político em que dificilmente se pode advogar restrições à liberdade de apenas alguns, que por acaso até são a maioria? Por outras palavras, encontram-se, ou não, desvios à norma linguística em textos literários? Até onde chegam? Onde devem terminar? E como deverão ser ensinados?
    • E quem são, afinal, os falantes da norma? E quando é que comportamentos linguísticos desviantes se transformam em comportamentos linguísticos exemplares?

Mudança lingüística: modelos e processos

Coordenadora: Yonne Leite (CNPq/UFRJ)

Descrição: O objetivo dessa sessão é constituir um fórum em que se apresentem análises de processos fonológicos, morfológicos, sintáticos, semânticos, de modo a se traçar um painel que retrate os diversos modelos e teorias que procuram detectar fatores formais e/ou sociais que impulsionam e procuram explicar a mudança lingüística.

Comunicações Livres

As comunicações submetidas à Comissão Organizadora que não se inscreverem nos dois modelos de sessões anteriormente apresentados serão seleccionadas por especialistas das áreas em que essas se enquadrarem.

Sessões de Posters e Demonstrações

As pessoas interessadas poderão apresentar propostas para posters e demonstrações que serão avaliadas tendo em conta as condições de instalação e equipamento que nos forem concedidas.

Para além do Programa do Encontro, que segue o modelo dos dois anteriores, terá lugar uma Exposição organizada por Maria Francisca Xavier, Comissária dessa Exposição.

Comissão Científica

  • Alina Villalva (Universidade de Lisboa)
  • Amália Andrade (Centro de Linguística da Universidade de Lisboa)
  • Ana Cristina Macário Lopes (Universidade de Coimbra)
  • Ana Isabel Mata (Universidade de Lisboa)
  • Ana Maria Brito (Universidade do Porto)
  • Ana Maria Martins (Universidade de Lisboa)
  • Ana Paula Banza (Universidade de Évora)
  • Anabela Gonçalves (Universidade de Lisboa)
  • António Emiliano (Universidade Nova de Lisboa)
  • Armanda Costa (Universidade de Lisboa)
  • Ataliba Teixeira de Castilho (Universidade de São Paulo)
  • Augusto Soares da Silva (Universidade Católica Portuguesa)
  • Carlos Gouveia (Universidade de Lisboa)
  • Céu Viana (Centro de Linguística da Universidade de Lisboa)
  • Clara Nunes Correia (Universidade Nova de Lisboa)
  • Clotilde Almeida (Universidade de Lisboa)
  • Dinah Callou (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
  • Elisabete Ranchhod (Universidade de Lisboa)
  • Ernesto d’Andrade (Universidade de Lisboa)
  • Esperança Cardeira (Universidade de Lisboa)
  • Fátima Oliveira (Universidade do Porto)
  • Fernanda Irene (Universidade do Porto)
  • Fernando Martins (Universidade de Lisboa)
  • Gabriela Matos (Universidade de Lisboa)
  • Graça Pinto (Universidade do Porto)
  • Graça Rio-Torto (Universidade de Coimbra)
  • Gueorgui Hristovsky (Universidade de Lisboa)
  • Hanna Batoréo (Universidade Aberta)
  • Inês Duarte (Universidade de Lisboa)
  • Isabel Leiria (Universidade de Lisboa)
  • Isabel Pereira (Universidade do Porto)
  • Isabel Trancoso (Universidade Técnica de Lisboa)
  • Ivo Castro (Universidade de Lisboa)
  • João Costa (Universidade Nova de Lisboa)
  • João Peres (Universidade de Lisboa)
  • João Saramago (Centro de Linguística da Universidade de Lisboa)
  • João Veloso (Universidade do Porto)
  • José Pinto de Lima (Universidade de Lisboa)
  • Luísa Segura (Centro de Linguística da Universidade de Lisboa)
  • Lurdes Moutinho (Universidade de Aveiro)
  • Margarita Correia (Universidade de Lisboa)
  • Maria Antónia Mota (Universidade de Lisboa)
  • Maria Francisca Xavier (Universidade Nova de Lisboa)
  • Maria João Freitas (Universidade de Lisboa)
  • Maria Lobo (Universidade Nova de Lisboa)
  • Marina Vigário (Universidade do Minho)
  • Mário Vilela (Universidade do Porto)
  • Nuno Mamede (Universidade Técnica de Lisboa)
  • Palmira Marrafa (Universidade de Lisboa)
  • Rui Marques (Universidade de Lisboa)
  • Rui Vieira de Castro (Universidade do Minho)
  • Sónia Frota (Universidade de Lisboa)
  • Telmo Móia (Universidade de Lisboa)
  • Telmo Verdelho (Universidade de Aveiro)
  • Teresa Brocardo (Universidade Nova de Lisboa)
  • Teresa Cabré (Universidade Pompeu Fabra)

Informações sobre a Inscrição

Sócios e estudantes: 50 euros
Outros participantes: 60 euros
A inscrição decorre no Hall do Secretariado da Fundação Calouste Gulbenkian, durante o período do XX Encontro.

 

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